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A CAMISA AZUL


Post de Claudio Diogo em 8/10/15 | Comenários: 0

A CAMISA AZUL

Após ministrar um seminário em São Paulo voltei ao hotel ao entardecer e mandei passar uma camisa para uma reunião que tinha pela manhã. Tamanha minha surpresa quando a gerencia me procurou e informou que um acidente havia acontecido, minha camisa foi brindada com uma enorme marca de ferro logo acima do bolso.
Muito solícito o gerente veio com a solução: eu poderia adquirir outra camisa, sendo que o hotel me reembolsaria o valor correspondente, afinal eram 19h00minh. E o shopping fechava às 22h00minh.

Entrei em várias lojas e a disposição que encontrei dos vendedores foi das piores e não conseguia encontrar uma camisa azul igual a que tinha sido inutilizada.
Até que aconteceu o que eu não previa, mas que muito raramente acontece na vida das pessoas: encontrei uma Vendedora com V maiúsculo.

Ao passar por uma vitrina achei uma camisa azul clara igual a minha; entrei e já na porta fui abordado por um sorriso muito simpático.
– Boa noite, que bom que veio nos visitar.

Surpreso agradeci e pedi uma camisa azul clara igual a que estava na vitrina.
– É para o senhor?
– Sim.
– É para uma ocasião especial ou ara o dia-a-dia.
– O senhor usará para combinar com uma roupa em especial?

Nesta hora expliquei o acontecido a ela, que após perguntar o meu nome voltou a me pesquisar:
– Que roupa o senhor usará com esta camisa? Qual a cor do seu blazer?
– É um bege claro (na verdade só mulheres sabem a diferença entre as cores marfim – areia – palha e gelo), respondi.
– Por favor venha até estas araras e me mostre um blazer com a tonalidade próxima dele.
– É muito parecido com este, apontei.
– É bonito, qual a padronagem da gravata?
– É quase esta aqui, indicando ao mostrador de gravatas.
– O senhor aceita uma sugestão?
– Claro! Respondi curioso.

Para minha surpresa ela colocou uma camisa amarelo-claro por dentro do blazer, que já estava encima do balcão, e fazendo um nó na gravata arrumou o conjunto formando uma composição agradável.
– Senhor Claudio; note como uma nova composição pode ser agradável, afinal esta cor de camisa pode dar um novo astral ao seu traje, além de valorizar a cor do seu cabelo e da sua pela também; experimente e veja a bela diferença que esta camisa vai fazer.

Resolvi experimentar e concordei com os argumentos dela.
– A camisa ficou muito boa e a gravata deu um toque especial, é discreta e ideal para se usar em compromissos comerciais. Completou.

Realmente me convenceu, estava um belo conjunto.
– O senhor prefere pagar com cartão ou cheque?
– Com cartão!
Enquanto o caixa fazia sua parte ela me dizia que quando viesse a São Paulo visitasse a loja e foi preenchendo uma ficha para me enviar um folder com a coleção outono-inverno.
Recebendo um novo sorriso, um aperto de mão e a sacola com a camisa e a gravata vou saindo satisfeito.

De repente estanco na porta, me restou uma dúvida, volto e pergunto:
– Você tem a camisa azul clara que eu pedi?
– E com um saudável sorriso respondeu: Não. Não tenho seu número, mas da próxima vez que o senhor vier nos visitar, eu terei. Boa noite senhor Claudio.

Incrível, quando entrei na loja e falei o que queria ela já sabia que não poderia me atender e direcionou a venda me convencendo a levar algo de que dispunha no estoque e me satisfizesse.
Negou-se a dizer: Não tenho seu número!

Começou a fazer perguntas para descobrir o que eu realmente queria. Assim, percebeu que o desejo principal era conseguir uma camisa social a tempo de cumprir meus compromissos e que combinasse com o traje que tinha no hotel. Simples assim!

Não aceitou que eu fosse embora, nem se portou como uma simples atendente, mas agiu como uma verdadeira vendedora, adequando minhas necessidades a seus produtos, além de adicionar à venda um gravata. Ela conseguiu me ajudar a tomar a melhor decisão para mim mesmo. Isto é vender.
E lá fui eu de volta com minha camisa e minha gravata nova, não exatamente da cor que saí para comprar… mas com o meu “motivo de compra” muito satisfeito.

Valeu!!

 

Claudio Diogo

www.tekoare.com

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